© criado por Carla Reichert 

Alzheimer - Como eu me sinto...

September 28, 2016

 

 

 

Caros leitores,

 

Assisti semana passada um filme interesante demais sobre Alzheimer. " Para sempre Alice". Ele conta a luta de uma grande mulher que precocemente, aos 50 anos, descobre estar com alzheimer. Essa mulher era extremamente empreendedora. Uma grande esposa,teve três filhos, construiu uma carreira belíssima, palestrava no mundo inteiro, era referência na sua área e infelizmente começou a ter lapsos de memória comprometendo suas atividades diárias. O filme mostra com muita clareza e sensibilidade o encontro dela com esse diagnóstico terrível e o quanto isso foi afetando a vida dela como um todo. Já tenho uma postagem neste blog falando sobre o Alzheimer e seus males. Na postagem de hoje, vou trazer o que sente o portador da doença. Hoje não vou me ater a conceitos e sintomatologia. Quero falar da pessoa acometida por esta doença que vai vendo ir embora toda uma vida diariamente. Uma pessoa que exercita todos os dias a arte de perder. E vou colocar aqui a carta que a personagem escreve em sua última palestra, onde ela descreve de fato, o que ela sente e como se sente vendo sua vida se esvaindo. Sabemos que o familiar sofre demais e o filme mostra isso claramente, mas devemos dar o devido lugar ao portador da doença, dando-lhe afeto, cuidado, mas também solidarizando e considerando esse momento de tantas perdas. “A poetisa Elisabeth Bishop escreveu: ‘A arte de perder não é nenhum mistério; tantas coisas contêm em si o acidente de perdê-las, que perder não é nada sério’. Eu não sou uma poetisa. Sou uma pessoa vivendo no estágio inicial de Alzheimer. E assim sendo, estou aprendendo a arte de perder todos os dias. Perdendo meus modos, perdendo objetos, perdendo sono e, acima de tudo, perdendo memórias. Toda a minha vida eu acumulei lembranças. Elas se tornaram meus bens mais preciosos. A noite que conheci meu marido, a primeira vez que segurei meu livro em minhas mãos, ter filhos, fazer amigos, viajar pelo mundo. Tudo que acumulei na vida, tudo que trabalhei tanto para conquistar, agora tudo isso está sendo levado embora. Como podem imaginar, ou como vocês sabem, isso é o inferno. Mas fica pior. Quem nos leva a sério quando estamos tão diferentes do que éramos? Nosso comportamento estranho e fala confusa mudam a percepção que os outros têm de nós e a nossa percepção de nós mesmos. Tornamo-nos ridículos. Incapazes. Cômicos. Mas isso não é quem nós somos. Isso é a nossa doença. E como qualquer doença, tem uma causa, uma progressão, e pode ter uma cura. Meu maior desejo é que meus filhos, nossos filhos, a próxima geração não tenha que enfrentar o que estou enfrentando. Mas, por enquanto, ainda estou viva. Eu sei que estou viva. Tenho pessoas que amo profundamente, tenho coisas que quero fazer com a minha vida. Eu fui dura comigo mesma por não ser capaz de lembrar das coisas. Mas ainda tenho momentos de pura felicidade. E, por favor, não pensem que estou sofrendo. Não estou sofrendo. Estou lutando. Lutando para fazer parte das coisas, para continuar conectada com quem eu fui um dia. ‘Então, viva o momento’, é o que digo para mim mesma. É tudo que posso fazer. Viver o momento. E me culpar tanto por dominar a arte de perder. Uma coisa que vou tentar guardar é a memória de falar aqui hoje. Irá embora, sei que irá. Talvez possa desaparecer amanhã. Mas significa muito estar falando aqui hoje. Como meu antigo eu, ambicioso, que era tão fascinado em comunicação. Obrigada por essa oportunidade. Significa muito para mim.” Alice Fonte:http://ulbra-to.br/encena/2015/02/02/OSCAR-2015-Para-sempre-Alice-Alzheimer-e-a-Arte-de-Perder. Assim, como em tudo na vida, devemos exercitar a arte de nos colocar no lugar do outro, procurando na medida do possível entender o seu momento, com amor!!!

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